quarta-feira, 2 de março de 2016

#SalaSocial: Confissão de ator sobre 'vício' desde os 12 anos abre polêmica sobre pornografia

  • 1 março 2016
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Image captionO ator criou uma série online para confessar sua compulsão (Foto: Facebook/Terry Crews)
Uma série de vídeos publicada pelo ator americano Terry Crews nas redes sociais, assistida por milhões de pessoas nas últimas semanas, deixou uma pergunta no ar: afinal, a pornografia pode viciar?
Ex-jogador de futebol americano e famoso por sua participação em produções de comédia – como os seriados Todo Mundo Odeia o Cris e Brooklin 9-9 e o filme As Branquelas –, Crews batizou sua websérie, em três partes, de Dirty Little Secrets(algo como "Segredinhos sujos").
Trata-se de um relato franco sobre sua compulsão por pornografia, que ele diz ter começado aos 12 anos de idade. A primeira parte da série foi visita mais de 3 milhões de vezes e atraiu milhares de comentários.
Crews conta que passava horas de seus dias assistindo a filmes pornôs.
"A pornografia atrapalhou a minha vida de várias formas", diz. "Se o dia virou noite e você ainda está assistindo, você provavelmente tem um problema. E esse era eu."
(Foto: Thinkstock)Image copyrightThinkstock
Image captionEmbora muitas pessoas digam sofrer desse mal, especialistas não admitem "vício em pornô"
O ator reconhece ainda que o vício quase lhe custou o relacionamento com sua mulher, a cantora gospel Rebecca King-Crews, de quem chegou a ficar temporariamente separado.
O retorno foi imediato: de um lado, milhares de pessoas aplaudiram Crews no Facebook, elogiando principalmente sua sinceridade. De outro, vários usuários começaram a compartilhar também suas próprias experiências envolvendo compulsões relacionadas ao sexo.
"Eu tenho lutado há anos – ANOS – contra a pornografia. E hoje sou grato por poder dizer que estou sóbrio e que tenho me mantido limpo por algum tempo", disse um usuário.

Controvérsia

Sucesso da empreitada de Crews à parte, a ideia da existência de um "vício em pornografia" é algo controverso. Tanto que ele não está listado, por exemplo, noManual de Diagnóstico e Estatística, a "bíblia da psiquiatria" publicada pela Associação Americana de Psiquiatria.
Muitos especialistas afirmam que o cérebro de uma pessoa assistindo pornô não funciona da mesma forma que o de dependentes químicos, embora as evidências sejam contraditórias nesse ponto.
Em um estudo da Universidade de Cambridge (Reino Unido), por exemplo, pesquisadores monitoraram 19 homens enquanto eles assistiam a filmes pornográficos. E notaram que foram ativados nos cérebros dos voluntários os mesmos pontos de "recompensa" acionados quando um viciado vê sua droga favorita.
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Image caption"Incrível, cara. Se mais homens com a sua influência se levantassem para desafiar mentalidades. Sua honestidade é algo incrível de se ouvir! Você não vê muito disso nos dias atuais", escreveu um usuário do Facebook após assistir a vídeo de Terry Crews
Nicole Prause, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, afirma que o consumo de pornografia não pode ser colocado no mesmo conjunto que o de álcool e drogas.
"Nos casos de vício em pornô, o cérebro tem desempenho similar ao registrado em outras dependências, mas apenas até certo ponto. Depois diverge. Quando você vê pornografia, há aumentos nos dispositivos de aprendizado e recompensa. Porém, não é possível ver outros sinais", afirmou ao programa de rádio BBC Trending.
Segundo a especialista, em pessoas viciadas em jogos de azar, por exemplo, o cérebro dá pistas mais consideráveis. Quando são analisadas pessoas que dizem sofrer da compulsão por pornô, a resposta é bem menor.
Sendo assim, afirma Praus, os modelos científicos atuais apontam que pornografia não causa dependência, e por isso tratá-la dessa forma pode ser contraproducente.
(Foto: BBC)
Image captionAntes acostumados a procurar pornografia na internet, usuários agora usam a rede para fugir dela

Teoria e prática

Dizer que não vicia, no entanto, não conforta as milhares de pessoas que desabafam na internet sobre suas dificuldades em deixar a pornografia de lado.
Só um grupo no famoso site de fóruns de discussão Reddit – chamado r/NoFap ("no fap" significa algo como "masturbação, não" na gíria em inglês) – tem mais de 170 mil seguidores, o que o faz tão popular quanto aqueles dedicados à cerveja e à série de jogos GTA, por exemplo.
Muitos dos usuários do fórum – ligado a um site de mesmo nome – dão detalhes sobre sua luta contra a obsessão por pornô e se comprometem a não ter recaídas ou se masturbar por um determinado período de tempo.
Tom (nome fictício) é um professor que vive nos Estados Unidos. Ele afirmou ao BBC Trending que sua compulsão teve início bem cedo e causou sérios danos a seu casamento.
"Você provavelmente já ouviu que assistir pornô é bom, mas não se compara à coisa real", ele diz. "Mas quando você é viciado em pornografia, sente o oposto. Sexo é bom, mas não se compara ao pornô."
Tom conta que chegou a passar semanas assistindo a pornografia por horas todas as noites.
"Eu não conseguia mais ficar excitado com minha mulher, simplesmente porque isso não era mais o suficiente para mim", diz.
E não importa o que os cientistas digam: Tom acredita que é viciado em pornografia – assim como várias outras pessoas no grupo do Reddit.
O professor se desafiou a ficar dois anos sem assistir vídeos pornôs – já se foram 90 dias, mas ele diz que não está sendo nada fácil lutar contra a compulsão e conseguir se livrar de verdade.

As superbactérias que resistem às temperaturas capazes de 'cozinhar' organismos


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Image captionFonte termal em Kamchakta
Em uma parte remota do leste da Sibéria, centenas de vulcões ativos compõem uma paisagem repleta de milhares de fontes quentes em ebulição. Os russos chamam essa região de “ terra em formação” por causa da frequência com que os vulcões expelem lava. E a Península de Kamchatka é uma das inóspitas regiões de todos os continentes do planeta.
Mas ela contém vida. Na água tóxica e quente das fontes vivem diversos tipos de micróbios, alguns em temperaturas perto de 100ºC. Mais e mais desses organismos vivendo em condições extremas estão sendo descobertos a cada ano por cientistas. Isso é uma boa notícia, não apenas para quem os estuda, mas também para uma variedade de processos industriais.
Kamchatka é tão remota que são necessárias nove horas de voo para chegar lá a partir de Moscou. É uma das regiões vulcânicas mais ativas do mundo, parte do Círculo de Fogo do Pacífico.
A cientista russa Elizaveta Bonch-Osmolovskaya, da Academia Russa de Ciências, visita a região regularmente desde 1982. A maioria de suas expedições teve como destino a Caldeira de Uzon, uma região do Parque Nacional de Kronotsky formada pela “implosão” de um vulcão há 200 mil anos.

'Extremófilos'

A caldeira é como uma bacia cercada por montanhas e está repleta de fontes quentes, gêiseres e lagos de lama espalhados por cinco campos termais, aquecidos por intensa atividade geotérmica nas entranhas do planeta. A rocha é rica em arsênico, fósforo, cobre, chumbo, antimônio e até ouro. Gases como metano, sulfeto de hidrogênio, nitrogênio e dióxido de carbono vazam no ar.
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Image captionUm duto hidrotermal no fundo do Oceano Atlântico
Trata-se de um lugar perigoso: alguém pode facilmente cair na água para lá de quente ou inalar fumaça venenosa. Mas, para muitos micróbios, é ambiente é aconchegante.
E para biólogos que os estudam, Uzon é um local perfeito. A jornada de helicóptero até a caldeira dura duas horas. “Não há estradas, e quando viemos para estudos, precisamos ficar até duas semanas. Claro, precisamos trazer tudo conosco, de material de camping a instrumentos científicos”, explica Elizaveta.
Em setembro de 2005. 20 cientistas americanos e russos participaram de uma expedição conjunta na caldeira que durou cinco anos. Comandados por Juergen Wiegel, da Universidade de Geórgia, nos EUA, os pesquisadores construíram um observatório especial para estudar os chamados micróbios “extremófilos”.
A maioria dos organismos não poderia sobreviver nas fontes quentes, já que temperaturas próximas do ponto de ebulição da água cozinham material biológico normal e destroem proteínas, lipídios e material genético.
A temperatura, porem, não é o único problema nas fontes: algumas piscinas são extremamente ácidas, ao passo que outras são o oposto: alcalinas. As águas podem ser bastante salgadas e muitas piscinas são ricas em potássio, ácido bórico e sulfatos. Há pouco oxigênio.
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Image captionA Caldeira de Uzon, na Rússia, abriga espécies recém-descobertas de superbactérias
As condições são tão desafiadoras que nenhum organismo mais complexo consegue sobreviver. Animais sofrem quando expostos a temperaturas muito maiores que 50ºC. A maioria das criaturas vivendo em ambientes extremamente quentes é de bactérias unicelulares e arqueobactérias. São as mais simples – e, provavelmente, as mais antigas – formas de vida da Terra. Consistem apenas de uma célula e carecem da maquinaria celular dos organismos avançados.
A equipe internacional de cientistas coletou amostras das piscinas e analisou seu DNA para encontrar pistas sobre a resistência dos micróbios. Os pesquisadores encontraram uma série microrganismos, incluindo espécies até então desconhecidas.
Desulfurella acetivorans, por exemplo, é uma bactéria que vive em água a 58ºC. Alimenta-se de acetato orgânico. Em vez de respirar oxigênio, pega sua energia do enxofre vulcânico, através de um processo conhecido como redução sulfúrica.
hermoproteus uzoniensis, uma nova espécie de arqueobactéria, foi descoberta em vários locais da caldeira. Em formato de bastões, pode sobreviver em águas próximas ao ponto de ebulição, alimentando-se de restos de moléculas orgânicas chamadas peptídeos. Também usa reduções sulfúricas para obter energia. Cientistas acreditam que essa bactéria é comum na região porque pode ser carregadas por ventos, água e pássaros.
Já o Acidilobus aceticus ganhou esse nome por causa da acidez extrema da fonte quente em que foi encontrado. Além de ácida, a água onde estava media 92ºC. O micróbio também usa o enxofre para gerar energia e para “respirar”.
Mas os cientistas também encontraram bactérias vivendo em outros gases, como o dióxido de carbono, o monóxido de carbono e mesmo em nitratos. “Encontramos muitas espécies diferentes de bactérias termófilas. Foi muito curioso ver as que cresciam usando monóxido de carbono, que é normalmente um gás extremamente tóxico."
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Image captionBactérias processam energia a partir de gases tóxicos para a maioria dos organismos
A mais quente piscina da caldeira tem temperatura de 97ºC e, em uma expedição recente, pesquisadores encontraram um grande número de micróbios vivendo ali. Muitos eram bactérias da ordem Aquificales, também já encontradas nas fontes termais do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA. Estes organismos obtêm energia do hidrogênio.
Mas o que permite que essas criaturas vivam em condições tão inóspitas?
As bactérias encontradas em Kamchatka e em outras fontes termais ao redor do mundo têm adaptações únicas: normalmente, as membranas lipídicas que cercam células vivas são destruídas acima de 50ºC, mas alguns micróbios superam esse problema usando ligações mais robustas.
E a membrana é apenas um detalhe: proteínas e enzimas se degradam em altas temperaturas, assim como o DNA. Mas esses micróbios desenvolveram sequencias especiais de aminoácidos para reforçar as proteínas e protegê-las, enquanto íons no interior da proteínas podem também tê-las feito mais estáveis.
Outra arma no arsenal das bactérias é uma categoria especial de moléculas chamadas proteínas de choque térmico, que protegem outras proteínas dos efeitos do calor.
Há também evidência de que proteínas em micróbios termofílicos têm presença mais densa que o normal, os que as protegem de uma espécie de decomposição pelo calor. Essas estratégias ajudam alguns micróbios a ultrapassar os limites considerados vitais. O recorde mundial de resistência já foi quebrado algumas vezes.
Alguns anos atrás, o Pyrolobus fumarii, uma espécie de arqueobactéria, foi encontrado num tubo hidrotérmico no fundo do oceano Atlântico. Ele sobrevive a temperaturas de 113ºC. Mas cientistas já encontraram um outro micróbio a 122ºC, apelidado de “amostra 121”, em outro tubo térmico, dessa vez no Pacifico. Seus descobridores afirmam que ele é capaz de sobreviver pelo menos duas horas a 130ºC.
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Image captionA Caldeira de Uzon é vulcanicamente ativa
Mas os cientistas não são os únicos interessados nessas habilidades únicas dos micróbios. Esses micróbios despertam o interesse comercial de indústrias como a química e a petroquímica.
Mesmo a medicina forense já se beneficiou de pesquisas com termófilos. Muitos testes envolvendo o DNA hoje só são possíveis por causa de um processo chamado polimerase, que replica o DNA e amplifica seu sinal para ser detectado. A enzima-replicante responsável pelo processo foi isolada de um termófilo.
O mais importante é que micróbios sobrevivendo em extremas condições podem conter a chave para entender as origens e a evolução da vida primitiva na Terra. Fontes termais oferecem um retrato de como a vida era nos primórdios do planeta. Havia pouca luz solar, nenhuma fotossíntese e quase não se encontrava oxigênio na fina e primitiva atmosfera.
Na ausência de atmosfera, a radiação ultravioleta destruía o DNA de criaturas vivas, e isso significa que só havia vida no fundo dos oceanos ou debaixo da terra, onde organismos encontrariam condições químicas parecidas às de Kamchatka. Essas condições também simulam algumas já encontradas em outros mundos em nosso Sistema Solar. Se micróbios podem viver nas fontes termais terrenas, em uma dieta de energia de vulcões, o mesmo pode acontecer em outros planetas.
Claro, para testar isso a viagem é ainda mais longa do que entre Moscou e a Caldeira de Uzon...

ONU aprova as sanções mais duras contra a Coreia do Norte em 20 anos


oLICIDADE
O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quarta-feira (2), por unanimidade, as sanções mais duras contra a Coreia do Norte em duas décadas.
A decisão reflete o descontentamento com o teste nuclear e o lançamento de um míssil de longo alcance feitos recentemente pelo regime de Pyongyang, o que desafiou a proibição de qualquer atividade relacionada a assunto nuclear.
As medidas incluem inspeções obrigatórias em todas as cargas que saem e entram na Coreia do Norte, pelo mar ou pelo ar, proibição de todas as vendas e transferências de armas pequenas e armamento leve para Pyongyang e expulsão de diplomatas do país que se envolverem em qualquer atividade ilícita.
Seth Wenig/Associated Press
The United Nations Security Council votes on a resolution during a meeting at U.N. headquarters, Wednesday, March 2, 2016. The U.N. Security Council voted Wednesday on a resolution that would impose the toughest sanctions on North Korea in two decades. (AP Photo/Seth Wenig) ORG XMIT: UNSW101
Conselho de Segurança da ONU durante votação de sanções contra a Coreia do Norte
A resolução proíbe que o país exporte carvão, ferro e minério de ferro –cuja renda está sendo usada para financiar os programas de mísseis balísticos– e também ouro, minério de titânio, minério de vanádio e minerais de terras raras.
Também proíbe vendas de combustível de aviação para o país, incluindo querosene usado por foguetes.
Nos EUA, o presidente Barack Obama disse que "a comunidade internacional, falando a uma só voz, enviou a Pyongyang uma mensagem simples: a Coreia do Norte deve abandonar esses programas perigosos e escolher um caminho melhor para o seu povo".
A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, disse ao Conselho, após a votação, que "a realidade perversa" da Coreia do Norte não tem igual no mundo, pois o país prioriza seus programas nuclear e de mísseis balísticos em detrimento das necessidades básicas de seu próprio povo.
A resolução sublinha que as novas medidas não se destinam a gerar consequências humanitárias negativas para os civis, cuja maioria enfrenta dificuldades econômicas e escassez de alimentos.
No setor financeiro e bancário, os países são obrigados a congelar os bens de empresas e outras entidades ligadas aos programas nuclear e de mísseis de Pyongyang.
Pela resolução anterior, eles eram apenas "incentivados" a fazê-lo.
A resolução também proíbe todos os países de abrir novas agências, subsidiárias e escritórios de representação de bancos norte-coreanos e proíbe as instituições financeiras de estabelecerem novas joint ventures ou criarem e manterem relações de correspondência com esses bancos.
Ela ainda ordena que os países fechem todos os bancos norte-coreanos e encerrem todas as relações bancárias com o país no prazo de 90 dias.
No âmbito das quatro rodadas de sanções da ONU impostas desde o primeiro teste nuclear do país, em 2006, a Coreia do Norte está proibida de importar ou de exportar produtos e tecnologias nucleares e mísseis.
O país também não pode comercializar bens de luxo.
A nova resolução amplia a lista de itens proibidos, acrescentando outros itens de luxo, como relógios caros, motos, veículos de águas de recreio e cristal de chumbo.
Ela também adiciona à lista negra de sanções 16 indivíduos, 12 entidades –incluindo a Agência de Desenvolvimento Aeroespacial Nacional, responsável pelo lançamento de foguetes– e 31 navios de propriedade da empresa norte-coreana de transporte marítimo Management Company.
Os integrantes dessa lista têm seus bens congelados e, no caso de pessoas físicas, estão proibidas de viajar.
Os EUA, seus aliados ocidentais e o Japão vinham pressionando por novas sanções além das já impostas aos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, mas a China estava relutante em impor medidas que poderiam ameaçar a estabilidade da Coreia do Norte e provocar um colapso na economia do país.
Os Estados Unidos e a China, tradicional aliada da Coreia do Norte, passaram sete semanas negociando as novas sanções.

terça-feira, 1 de março de 2016

Pesquisadores estreitam buscas ao suposto Planeta Nove


Recentemente, a publicação sobre a possível existência de um novo planeta no Sistema Solar fez diversos cientistas especularem sobre a localização do objeto. Muito escuro para ser observado, ninguém sabe onde ele está, mas já se sabe onde não pode estar.
Planeta Nove
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A possibilidade de existência do Planeta Nove foi especulada por Michael Brown e Konstantin Batygin, dois renomados astrofísicos ligados ao Caltech, Instituto de Tecnologia da Califórnia e que há muitos anos pesquisam os distantes objetos transnetunianos. Seus estudos colaboraram com a descoberta de Sedna, Eris e Makemake, os dois últimos descobertos por Brown em 2005.
De acordo com os trabalhos de Brown e Batygin, os modelos mostram um pequeno achatamento na orbita de sete planetas-anões quando, durante suas voltas ao redor do Sol, penetram o cinturão de Kuiper, uma remota região do Sistema Solar localizada entre 30 UA e 50 UA do Sol (entre 5 bilhões e 7.5 bilhões de km).
No entender dos pesquisadores, essa anomalia orbital é possivelmente causada pela interação gravitacional de algum objeto com massa 10 vezes a da Terra, que em algum momento do período de translação passa nas proximidades dos planetas anões e os "puxa", deformando suas orbitas.
Difícil de Provar
O maior problema para a comprovação dessa teoria é que esse suposto objeto, chamado informalmente de Planeta Nove, seria extremamente escuro devido sua distância do Sol e pior ainda, teria uma orbita de 15 mil anos ao redor da estrela, um tempo excessivamente longo para aguardar uma posição favorável à sua observação.
Assim, como o Planeta Nove ainda não foi avistado e as possíveis anomalias nos planetas-anões são resultado de modelagem matemática, não se tem qualquer ideia de onde ele estaria dentro da elipse de sua orbita, o que inviabiliza as tentativas atuais de detecção.
Além disso, a esmagadora maioria das tentativas de descobertas de novos planetas através de interação gravitacional resultou em erro. O caso mais conhecido de sucesso foi a descoberta de Netuno em 1846, o primeiro planeta previsto por calculo após análise de interação gravitacional sobre Urano.

Localizacao hipotetica do Planeta Nove
Localização hipotética do Planeta Nove após os estudos da equipe de Jacques Laskar, do Observatório de Paris.
Onde o Planeta Nove não está?
Recentemente, uma equipe de cientistas franceses entrou na corrida pelos louros da descoberta do suposto Planeta Nove.
Utilizando dados da espaçonave Cassini, que orbita o planeta Saturno desde 2004, a equipe de Jacques Laskar, do Observatório de Paris, excluiu duas zonas de buscas.
Isso foi possível após os cientistas calcularem que o suposto objeto, em seu ponto mais distante do Sol, não teria condições de interferir gravitacionalmente nas orbitas dos planetas anões. Isso faz com que a zona de busca seja restrita à metade da elipse da suposta orbita.
Para Laskar, o campo de busca pode ser mais restringido ainda caso a missão Cassini, prevista para ser encerrada em 2017, puder ser estendida até 2020, o que geraria mais dados a serem usados nas simulações

PF prende vice-presidente do Facebook por descumprir ordens judiciais


  • Reprodução/Facebook
    Diego Dzodan, vice-presidente do Facebook para a América Latina
    Diego Dzodan, vice-presidente do Facebook para a América Latina
A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (1) o vice-presidente do Facebook na América Latina, o argentino Diego Jorge Dzodan. Ele foi detido antes de sair para o seu escritório, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Após prestar declarações na Superintendência da PF, na Lapa, o executivo foi transferido ao CDP (Centro de Detenção Prisional).
Segundo nota da PF, o pedido de prisão preventiva foi expedido pelo juiz criminal da Comarca de Lagarto (SE), Marcel Maia Montalvão, após reiterado descumprimento de ordens judiciais, que solicitavam informações contidas na rede social para produção de provas a serem usadas em investigação de crime organizado e tráfico de drogas.
A Justiça havia solicitado os endereços físicos de onde os traficantes trocavam mensagens tanto pelo Facebook quanto pelo Whatsapp, app de mensagens que também pertence ao Facebook.
Segundo Mônica Horta, chefe de comunicação da PF de Sergipe, o executivo foi procurado três vezes pela Justiça nos últimos meses para prestar esclarecimentos.
Ao não responder aos pedidos, o juiz estipulou multa diária de R$ 50 mil, que não foi cumprida por mais 30 dias. Depois essa multa aumentou para R$ 1 milhão por dia
O Facebook, de acordo com Mônica, não poderia deixar de fornecer os dados alegando descumprimento de sua política de privacidade. "Ordem judicial deve ser cumprida por toda empresa. Já emitimos ações similares contra empresas de e-mails, que respeitaram a ordem", comentou ela.
O Facebook Brasil ainda não se comunicou a respeito.
O juiz Marcel Maia Montalvão também não quis comentar a prisão de Dzodan, alegando que o caso tramita em segredo de Justiça.
Em nota, ele disse apenas que "trata-se de um processo de tráfico de drogas inteterestadual, em que a Polícia Federal solicitou ao juízo a quebra do sigilo de mensagens trocadas no WhatsApp. O que foi deferido pelo magistrado". A decisão teve como base o artigo 2º, parágrafo 1º, da lei 12.850 de 2013: "Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa."

Whatsapp na berlinda desde 2015

Em dezembro do ano passado, a Justiça mandou suspender o WhatsApp por motivo parecido, com base na lei do Marco Civil da internet, que exige que serviços ofertados no país respeitem a legislação brasileira. O bloqueio devia durar 48 horas, mas no fim o aplicativo ficou 12 horas fora do ar.
Em fevereiro de 2015, a Justiça de Teresina, no Piauítambém determinou a suspensão do WhatsApp por não cumprir decisões judiciais. Mas as operadoras recorreram e o aplicativo não teve seu funcionamento suspenso.
Especialistas interpretaram, na época, que era uma tentativa de forçar a empresa a colaborar com a investigação de crimes graves, já que as aplicações de multas não surtiam efeito.
Frederico Ceroy, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Digital, afirmou na época que a decisão abria um precedente no Judiciário brasileiro, especialmente pela postura "arredia" que o Facebook tem tido com a Justiça do país. "Se a empresa continuar se negando a fornecer os dados requeridos judicialmente, haverá um pedido por dia", disse o especialista.
Embora o WhatsApp alegue não ter as informações solicitadas pela Justiça brasileira, as autoridades, de acordo com Ceroy, pedem que sejam informados apenas os dados que possui. "Por exemplo, um determinado usuário usa o celular número tal, da operadora tal e se conectou com esse outro usuário da operadora tal. Não se quer ter acesso às conversas", afirma. "O que notamos é que há uma má vontade do app em colaborar."

A Terra é plana? Acredite ou não, essa é "A" teoria de conspiração do ano

Nós sabemos: 2016 mal começou, mas já podemos ter a "teoria de conspiração do ano". Não se sabe bem a razão, mas argumentos de que a Terra é plana - fato não só contestado por imagens tiradas do espaço, mas também por investigações matemáticas que datam desde a Grécia antiga - têm ganhado manchetes pelo mundo todo recentemente. Até famosos, como o rapper americano B.o.B., embarcaram na onda e passaram a doutrinar seguidores em redes sociais. Mas como explicar este fenômeno que faz os céticos torcerem o nariz?

Quem são os crentes da Terra plana? O que comem? Onde vivem?

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Conceito de uma Terra plana com o Polo Norte no centro e a Antártida nas periferias é defendido por alguns
Eles acreditam basicamente, que há uma conspiração mundial envolvendo cientistas e agências espaciais para que todos acreditem que a Terra é esférica. É dito que estamos em um disco circular, não em um globo, com o Polo Norte no meio e a Antártida em toda a borda. Assim como, em parte, civilizações antigas (ênfase no antigas) acreditavam. Em matéria do jornal inglês The Guardian, é citado que os seguidores dessa teoria são "quase como uma religião".
Não se sabe qual é realmente o tamanho do grupo. Mas, como em qualquer assunto, fanáticos fazem barulho. Principalmente na internet. Em grupos de Facebook, posts no Twiter, vídeos no YouTube, fóruns... Qualquer espaço vira uma plataforma para eles espalharem a "palavra". Mas há até sociedades que se reúnem em torno da causa - a mais famosa é a Flat Earth Society, que conta até com site próprio, mas há outros grupos que divergem entre si sobre vários assuntos envolvidos no tema.
Inúmeros fatos são apontados pelos membros dos grupos. As alegações para isso vão desde "desaparecimento de navios" a "horizonte reto" (mas não citam que barcos ficam só parcialmente visíveis no horizonte por causa da curvatura terráquea). Muitos membros que questionam o formato do nosso planeta são vistos como piadistas, o que torna difícil a teoria ser levada a sério. Recentemente, o fundador do grupo extremista Boko Haram, Mohammed Yusuf, o rapper norte-americano B.o.B. e a atriz pornô Tila Tequila declararam acreditar na Terra plana.
Talvez uma visita ao passado seja útil nesta história. Um dos argumentos dos crédulos em uma conspiração mundial sobre o formato da Terra (qual seria o sentido dessa conspiração?) é de que a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) manipula imagens e informações sobre o assunto. Mas é bom lembrar que não foi a instituição governamental dos Estados Unidos quem "inventou" o formato esférico do planeta. Vamos a uma linha do tempo sobre o assunto:

O que os antigos diziam

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Astronomia desperta curiosidade e estudos desde a Antiguidade
- Por volta do século 16 a.C.: A cosmologia antiga da Mesopotâmia e do Egito acredita em uma Terra plana e circular, como um disco, cercada por um oceano cósmico.
- Por volta do século 8 a.C.: O poeta Homero descreve a Terra como um disco plano. O mapa-mundi babilônico segue na ideia da Terra cercada por um oceano cósmico. Na mesma época, a teoria da Terra plana e circular era citada em escritos bíblicos. O mesmo período ainda tem israelitas seguidores desta cosmologia. Na Índia antiga, acreditava-se na Terra como um disco com quatro continentes ao redor de uma montanha.
- Por volta do século 6 a.C.: Filósofos gregos começam a apontar a possibilidade de a Terra ser esférica. Sim, gregos da Grécia antiga, mais de 2 mil anos atrás. Há uma disputa de quem teria sido o primeiro. Mas sabe-se que os famosos Pitágoras e Aristóteles já começam a apontar uma Terra circular por causa de observações e cálculos feitos à época. A proposição passou a ser a mais comum, embora alguns filósofos da época ainda falassem em uma Terra plana.
- Por volta do século 1 d.C.: A China acredita em uma Terra plana. Nesta época, já quase nenhum grego questionava a esfericidade da Terra.
- Por volta do século 2 d.C.: A visão esférica é sustentada pelos primeiros cristãos.

A Idade Média

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Monge Cosmas Indicopleustes indicou uma Terra plana em formato de uma caixa nos seus escritos Topografia Cristiana (foto)
- Século 5 d.C.: O monge Cosmas Indicopleustes, no Egito, escreve um livro chamado Topografia Cristiana em que diz que a Terra não só é plana, como retangular. No mesmo período, o início da Idade Média na Europa deixou a produção intelectual em segundo plano - ainda assim, muitas teses citavam Terra esférica. A partir do século 8, nenhum cosmógrafo ou filósofo famoso na Europa questionou a esfericidade.
- Século 13 d.C.: No Islã, visões mais tradicionais e antigas da Terra plana começam a ser revividas com o declino da Idade de Ouro islâmica.

Tempos modernos

Tripulação da Apollo 17/Nasa
Esta é a primeira foto da Terra como nós conhecemos, tirada em 1972 pela tripulação da Apollo 17 rumo à Lua. Redonda, né?
- Século 17 d.C.: A China ainda acreditava que a Terra era plana. Somente após a entrada da cultura europeia de astrônomos com os jesuítas a teoria foi modificada.
- Século 19 d.C.: Mito de que a Terra é plana ressurge entre alguns fanáticos, principalmente por causa do escritor norte-americano Washington Irving, que escreveu um livro sobre Cristóvão Colombo.
- 1972: A primeira imagem completa da Terra tirada do espaço (acima), feita pelos astronautas norte-americanos a caminho da Lua, mostra formato esférico, como os cálculos e teóricos mostravam.
- Atualmente: Crença na Terra plana é costumeiramente citada por grupos e indivíduos isolados. Nunca um cientista de renome.