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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Deputado rabino lutará pela construção do Terceiro Templo

Yehuda Glick é aliado de muçulmanos que creem em Jesus



Deputado rabino lutará pela construção do Terceiro TemploDeputado rabino lutará pela construção do Terceiro Templo
Embora tenha nascido nos Estados Unidos, Yehuda Glick é um dos rabinos com maior visibilidade em Israel nos últimos anos. Diretor-executivo do Instituto do Templo, há anos ele faz campanha para expandir o acesso judaico ao Monte do Templo. Defende ainda a construção imediata do terceiro templo.
Ao assumir como o mais novo deputado do Parlamento de Israel (Knesset), ele precisou renunciar a sua cidadania americana e precisa submeter-se à proibição de, como todos os outros parlamentares, subir ao monte do Templo.
Pertencente ao Likud, partido do premiê Benjamin Netanyahu, ele substitui o ex-ministro da Defesa, Moshe Yaalon. O novo ocupante da pasta é Avigdor Lieberman. Com ele e Glick, o cenário político israelense assume uma configuração mais identificada com o ultranacionalismo.
Isso significa menos diálogo com os palestinos sobre uma divisão do território israelense, na chamada “solução dos dois estados”.
O rabino Glick ficou muito conhecido após ter sobrevivido a uma tentativa de assassinato dois anos atrás, quando um palestino disparou à queima-roupa quatro tiros no seu peito. O fato de ele ser agora um congressista e com força política, gerou expectativa sobre como será sua luta pela reconstrução do Templo, assunto evitado pelo governo. Afinal, ele continua ligado ao Instituto do Templo.
Em seu primeiro pronunciamento, deputado Yehuda avisou: “Enquanto eu estiver aqui, farei tudo o que estiver em meu alcance para acabar com a injustiça que acontece todos os dias no local mais sagrado do mundo”.

Aliança com muçulmanos que creem em Jesus

A atuação do rabino Yehuda Glick é marcada por diferentes questões proféticas. Afinal, ele é um dos grandes incentivadores da retomada dos sacrifícios no que será o Terceiro Templo.  Contudo, ano passado ele fez uma visita à Turquia e participou de um encontro com líderes religiosos muçulmanos, sendo recebido como convidado de honra.
Ele afirmou na ocasião que estava lá para “a promoção do diálogo entre os crentes em um Deus Único. Quando falo sobre a liberdade de culto, direitos humanos, respeito a todas as outras pessoas, é isso que eu quero dizer isso. Minha missão está profundamente ligada à visão dos profetas que tornaram o Monte do Templo uma casa de oração para todas as nações”.
Um dos líderes muçulmanos aliados de Glick é Adnan Oktar, apresentador de um programa de TV exibido em todo Oriente Médio. Ele defende uma aliança entre judeus e muçulmanos. Além disso, fala abertamente sobre a chegada de um messias muçulmano [Mahdi], que em breve se revelará ao mundo. Porém, avisa que antes disso, ocorrerá o retorno de Jesus, que os muçulmanos chamam de “profeta Isa”.
Jesus teria como função ajudar o Mahdi em sua missão de converter o mundo todo ao Islã. Sua aparição seria para revelar que ele não é o filho de Deus, tampouco foi crucificado ou ressuscitou dos mortos. Ele contaria que, na verdade, é um seguidor do islamismo. Para provar sua condição, fará muitos milagres.
Oktar apoia a reconstrução de um Templo no alto do Monte, mas ao lado das Mesquitas. Afirmou que busca influenciar outros líderes islâmicos para apoiarem a construção desse Templo. Contudo, a afirmação mais surpreendente foi: “vamos ver o Messias, vamos ver o Templo de Salomão, vamos todos juntos orar lá, se Deus quiser”. Com informações de Israel National NewsJTA e Jewish Press

terça-feira, 24 de maio de 2016

Brasil: um país de leitores… de “Bíblia”

Bastante já foi dito sobre os resultados da 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, promovida pelo Instituto Pró-livro e realizada pelo Ibope. Já mostrei aqui no blog mesmo que o país anda lendo mais do que há quatro anos – exceto nossa elite econômica – e que os leitores são pessoas mais ativas do que os não leitores. No entanto, ainda é preciso jogar luz sobre um dos dados que o estudo revela: quando lê, o brasileiro lê principalmente a “Bíblia”.
Ao perguntar quais tipos de livros os leitores tinham lido no último ano, a pesquisa constatou que 42% deles leram a “Bíblia”, seguida por livros religiosos, de contos e romances – cada um citado por 22% dos entrevistados, que podiam indicar mais de uma opção. Curioso aqui notar que a “Bíblia” sequer entrou no gênero de religiosos. Claro que o livro pode ser lido de maneiras diversas – com viés histórico, sociológico, filosófico.. -, mas é evidente que a esmagadora maioria dos leitores que leem a “Bíblia” o fazem por questões ligadas à religião.
A “Bíblia” também encabeça os gêneros preferidos de pessoas de todas as faixas etárias (5 a 10, 11 a 13, 14 a 17, 18 a 24, 25 a 29, 30 a 39, 40 a 49, 50 a 69 e 70 e mais) e níveis de escolaridade (Fundamentai I, Fundamental II, Ensino Médio e Superior) abarcados pelo estudo. Foi ainda o título mais citado como última leitura dos entrevistados – 225 menções, seguido por “Diário de um Banana” e “Casamento Blindado”, ambos lembrados 11 vezes – e é a obra mais marcante da vida de 482 pessoas ouvidas – a segunda posição aqui ficou com “A Culpa é Das Estrelas”, mencionado em 56 oportunidades. Não bastasse, é diretamente responsável por uma das curiosidades da pesquisa: ao indicarem o autor do último livro que estavam lendo, alguns entrevistados (1%) citaram entidades religiosas normalmente ligas à “Bíblia”, como Jesus e Moisés.
Até professores preferem a “Bíblia''
A Retratos da Leitura no Brasil também apresenta alguns recortes específicos sobre o hábito de leitura dos professores e profissionais da educação. Nessa categoria, a “Bíblia” também se destaca: ela que lidera, por exemplo, a lista dos 11 títulos mais citados pelos educadores, com 22 menções – “Esperança” está na segunda posição, com 5 citações.
Sobre esses profissionais, há ainda uma contradição nos números: 84% deles garantem que são leitores, no entanto, metade dos entrevistados não citou nenhum título ao ser indagado a respeito de qual era o último livro que havia lido. Estranho tantos professores não recordarem o que leram recentemente, não?
Tendo em vista esse panorama, parece que a frase escolhida pelos organizadores da pesquisa para servir de epílogo à apresentação dos números está um tanto deslocada. Diz ela, que é de autoria do peruano Mario Vargas Llosa: “Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que, alguns, fazem passar por ideias”. Será mesmo que tantas pessoas adquirem essas características ao lerem a “Bíblia”. Ou será que, encarando a obra de maneira dogmática, tal leitura não acaba gerando um resultado exatamente oposto àquele desejado pelo Nobel de Literatura de 2010?

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Estado americano declara pornografia como 'problema de saúde pública'

  • Há 2 horas
(Thinkstock)Image copyrightThinkstock
Utah se tornou o primeiro Estado americano a declarar a pornografia um problema de saúde pública.
Segundo o governador, Gary Herbert, que sancionou a nova lei, o objetivo é "proteger nossas famílias e nossa juventude".
Mas a medida não proíbe o consumo da pornografia no Estado, cuja população é majoritariamente mórmon.
No entanto, a iniciativa pede maiores "esforços para evitar a exposição e o vício ligados à pornografia".
Um representante da indústria pornográfica chamou a lei de "antiquada".
Segundo o texto, a pornografia "perpetua um ambiente sexualmente tóxico" e "contribui para a hiperssexualização dos adolescentes, e até das crianças na pré-puberdade, na nossa sociedade".
A lei defende mudanças nos campos da "educação, prevenção, pesquisa e políticas a nível social e comunitário" contra o que chamou de epidemia, mas não sugere como elas devem ser implementadas.
Segundo Herbert, que é do Partido Republicano, o volume de pornografia na sociedade vem "escalando".
Em 2009, um estudo da Escola de Negócios da Universidade de Harvard disse que Utah era o Estado com o maior porcentual de usuários de pornografia online nos Estados Unidos.
Algumas pesquisas, no entanto, indicaram que o consumo de pornografia não gera vícios.

'Estigma'

A aprovação da lei contou com forte apoio do grupo ativista antipornografia Fight the New Drug. Os fundadores da organização são todos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ou Igreja Mórmon, uma denominação religiosa conservadora.
Mais de 60% da população do Estado são mórmons, mas os líderes da Fight New Drug negaram ter feito lobby em nome da Igreja Mórmon.
Já a Free Speech Coalition, uma associação da indústria pornográfica, reivindicou maior abertura ao diálogo.
"Devemos viver em uma sociedade onde a sexualidade é falada abertamente, e discutida de forma educada e nuançada, mas nunca estigmatizada", afirmou Mike Stabile, porta-voz do grupo.
"Devemos trabalhar juntos para evitar que não-adultos acessem material pornográfico", ressalvou.

quarta-feira, 13 de abril de 2016


Inteligência artificial traz novas informações sobre as origens da Bíblia


Há 2.600 anos, um grupo de soldados judaístas vigiava seu reino nos últimos dias antes de Jerusalém ser tomada por Nabucodonosor. Eles deixaram para trás diversas inscrições – e agora, uma análise digital inovadora revelou quantas pessoas escreveram aquilo. A pesquisa e tecnologia inovadora por trás disso pode nos ensinar bastante sobre as origens da Bíblia.
“É sabido que a Bíblia não foi escrita em tempo real, e sim provavelmente escrita e editada depois,” explicou o matemático Arie Shaus, da Universidade de Tel Aviv, ao Gizmodo. “A grande questão é: exatamente quando?”
Shaus é um dos diversos matemáticos e arqueólogos que tentam responder essa questão de uma maneira radical: ao usar ferramentas de aprendizagem de máquinas para determinar quantas pessoas eram alfabetizadas nos tempos antigos. A primeira grande análise deles, que foi publicada no Proceedings of the National Academies of Science, sugere que a habilidade de ler e escrever era bem disseminada pelo Reino de Judá, o que preparou o terreno para a compilação dos textos bíblicos.
Apesar de partes dessa conclusão permanecerem controversas, a tecnologia por trás do estudo pode revolucionar nosso entendimento sobre alfabetização e educação nos tempos bíblicos.
A maioria dos acadêmicos concorda que os textos bíblicos mais antigos – incluindo o Livro de Josué, o Livro dos Juízes e os dois Livros dos Reis – ganhou forma no que é conhecido como fim do Período do Primeiro Templo, antes de Jerusalém cair diante do rei babilônio em 586 a.C. Mas as circunstâncias por trás da origem desses textos, incluindo quando eles foram de fato escritos e quantos autores se envolveram na obra, permanecem desconhecidas. Curiosamente, textos que não têm nada a ver com Bíblia podem ajudar a chegar a uma resposta.
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Vista aérea do forte Tel Arad, de onde as inscrições usadas no estudo presente originaram. Imagem: Wikimedia
Por exemplo, durante esse período as pessoas escreveram uma grande variedade de informações em fragmentos de cerâmica chamados óstracos. “Esses textos são bastante mundanos em natureza,” disse Shaus, citando comandos militares e pedidos de suprimentos entre os assuntos mais populares de discussão.
Além de mostrar quantos vinhos os soldados judaístas precisavam, outra camada de informação pode ser extraída dos óstracos: quantas pessoas sabiam escrever. Isso é exatamente o que Shaus e seus colegas fizeram, analisando um grupo de 16 fragmentos de cerâmica bem preservados de um forte militar remoto localizado na fronteira sul de Judá. Muitos desses óstracos datam de cerca de 600 a.C., praticamente na véspera da queda do reino.
No primeiro passo dessa análise, os pesquisadores usaram ferramentas novas e processamento de imagens para restaurar caracteres que tinham sido parcialmente apagados. Eles então desenvolveram algoritmos de aprendizagem de máquinas que conseguiam comparar e contrastar as formas dos antigos caracteres hebreus para identificar estatisticamente caligrafias diferentes. A princípio, isso é parecido com o algoritmo que empresas de tecnologia usam para detecção de assinaturas digitais.
“Análise de caligrafia é uma grande área que está sendo bastante estudada em anos recentes,” disse Shaus. “De qualquer forma, tivemos que desenvolver nossas próprias ferramentas e foi um pouco desafiador. O meio estava bastante deteriorado, assim como a escrita.”
A equipe desenvolveu uma ferramenta de reconhecimento de caligrafia que funcionou muito bem com o hebraico moderno, e eles decidiram realizar testes em inscrições antigas. No fim das contas, a análise revelou ao menos seis autores diferentes por trás dos 16 óstracos. Examinando o conteúdo do texto em si, os pesquisadores concluíram que esses autores eram parte de toda a cadeia de comando militar. “Do comandante ao cargo mais baixo, todos podiam se comunicar por escrito,” disse Shaus. “Foi um resultado extremamente surpreendente.
É um resultado que os pesquisadores dizem apontar para uma “proliferação da alfabetização” através da sociedade judaísta em 600 a.C., o que sugere que a infraestrutura para dar apoio para a escrita da Bíblia provavelmente existia mesmo.
Mas nem todo mundo concorda com todos os aspectos dessa conclusão.
“Esta é um estudo altamente inovador e importante,” disse o especialista em arqueologia e estudos da Bíblia Christopher Rolslton, da Universidade George Washington, ao Gizmodo, lembrando que existem amplas evidências arqueológicas de que partes da Bíblia foram escritas por volta de 800 a.C. Mas quem sabia escrever naquela época?
“Acredito que a alfabetização era limitada às elites, basicamente escribas, oficiais militares de alto escalão, e sacerdotes,” disse Rollston, adicionando que no fim do Período do Primeiro Templo é possível que a leitura e a escrita tenham se espalhado para além dessas classes mais altas.
Talvez o aspecto mais importante do trabalho de Shaus seja a introdução da tecnologia de reconhecimento de imagem sofisticado ao estudo de textos antigos. O grupo de pesquisa de Tel Aviv está disposto compartilhar as ferramentas de reconstruir cartas e decifrar a caligrafia com outros arqueólogos. Ao aplicar esses métodos mais amplamente, podemos ser capazes de determinar quando, onde e por quem o mais duradouro livro da história começou a ser escrito.
“Estamos trazendo novas evidências para o jogo,” disse Shaus. “Agora vamos ver o que vem por aí.”
Foto de topo: Inscrições com tinta da fortaleza de Tel Arad, localizada ao sul de Judá. Crédito: Michael Cordonsky/Universidade de Tel Aviv

Revelada fórmula usada por Isaac Newton para tentar atingir vida eterna

Manuscrito revelado após décadas em coleção privada mostra interesse de físico por 'estudos ocultos' e receita de substância 'mágica' que converteria metais em ouro e nos faria jovens para sempre.

Da BBC

O texto, escrito à mão em latim e inglês, explica como criar uma substância chave para a lendária pedra filosofal (Foto: Chemical Heritage Foundation)O texto, escrito à mão em latim e inglês, explica como criar uma substância chave para a lendária pedra filosofal (Foto: Chemical Heritage Foundation)
O físico e matemático britânico Isaac Newton (1643-1727) entrou para a história como "pai da gravidade" por lançar as bases da lei da gravitação universal, inspirado pelo dia em que uma maçã caiu sobre sua cabeça em 1666.
Newton escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia em sua vida; a prática foi um dos muitos "estudos ocultos" que despertaram seu interesse  (Foto: Reprodução/TV Globo)Newton escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia em sua vida; a prática foi um dos muitos "estudos ocultos" que despertaram seu interesse (Foto: Reprodução/TV Globo)
Descobriu-se séculos mais tarde, contudo, seus "estudos ocultos", que mostravam seu interesse por ciências além da física, como cronologia, alquimia, cabala e interpretação de textos bíblicos.
E dada sua boa reputação como inventor, não é de se estranhar que essa revelação, na década de 1930, tenha causado comoção.
A fascinação de Newton abrangia assuntos diversos, e não necessariamente científicos.
Agora, um novo manuscrito veio a público.
E envolve uma fórmula para a imortalidade, escrita à mão por Newton, em que descreve passos do preparo de uma substância "mágica" que converteria metais em ouro e nos faria jovens para sempre.
Tratava-se, na verdade, dos primeiros passos para a criar a chamada pedra filosofal.
Elixir da vida
A pedra filosofal é uma lendária substância da alquimia (química da Idade Média, que buscava o remédio contra todos os males físicos e morais) que conteria os segredos do rejuvenescimento, o elixir da vida e a imortalidade.
Diz a lenda que essa substância poderia ainda transformar metais em ouro ou prata.
A Bíblia e textos budistas e hinduístas mencionam a pedra filosofal, e alquimistas da Idade Média já a buscavam.
E Newton fez suas próprias tentativas no século 17.
Pelo menos é o que revela o manuscrito recém-publicado, que tinha ficado por décadas em uma coleção particular. A Fundação do Patrimônio Químico (CHF, na sigla em inglês), dos EUA, comprou o material em um leilão e fez a divulgação.
No documento, escrito em latim e inglês, o gênio britânico explica a receita do "mercúrio sófico" (ou mercúrio dos filósofos), substância chave no processo alquímico para produzir a famosa pedra filosofal.
Instruções que Newton aparentemente copiou de outro alquimista, o americano George Starkey, após fazer anotações, corrigir e reescrever o texto original.
Juventude eterna
"Esse manuscrito é importante porque ajuda a entender as leituras alquímicas de Newton, principalmente aquelas de seu autor favorito", disse James Voelkel, da Biblioteca de História Química Othmer, nos EUA.
De acordo com Voelkel, o documento também traz provas de outra metodologia de laboratório de Newton.
O físico escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia em sua vida.
E embora essa prática pré-científica não tenha o prestígio internacional da física, é inquestionável que ambas tiveram um papel relevante na vida de Newton.
No fim das contas, a alquimia contribuiu para o desenvolvimento da ciência moderna. E talvez agora a pedra filosofal não interesse tanto, mas continuamos procurando o segredo da juventude eterna.
E Newton, a sua maneira, conseguiu ser imortal
.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Risco de desabamento no túmulo de Jesus une cristãos rivais

Diaa Hadid
Em Jerusalém (Israel)
  • Uriel Sinai/The New York Times
    Peregrinos esperam para entrar no local onde a maioria dos cristãos acredita que Jesus foi colocado após ser crucificado, na Cidade Velha de Jerusalém
    Peregrinos esperam para entrar no local onde a maioria dos cristãos acredita que Jesus foi colocado após ser crucificado, na Cidade Velha de Jerusalém
Era um dia típico no santuário ao redor do que muitos acreditam ser a tumba de Jesus, na Cidade Velha de Jerusalém. Um coro ortodoxo grego cantava em uma sala de frente para a estrutura barroca. Mas as vozes foram se esvaindo quando os padres e monges armênios ao redor do santuário ergueram as suas.
"Às vezes eles trocam socos", observou, encolhendo os ombros, um guarda da igreja, Farah Atallah, que usava um fez.
Atallah é uma antiga testemunha das rivalidades entre as comunidades ortodoxa grega, ortodoxa armênia e católica que enciumadamente compartilham --e às vezes disputam-- o que consideram o local mais sagrado do cristianismo, o interior da igreja do Santo Sepulcro.
Em meio à rivalidade, a instável estrutura de 206 anos, reforçada por uma gaiola de ferro de 69 anos, é um símbolo desconfortável, muitas vezes embaraçoso, das divisões cristãs, que periodicamente irromperam em tensão.
Em 2008, monges e padres discutiram ao lado do santuário, trocando socos e puxões de cabelo não longe da tumba onde os cristãos acreditam que Jesus ressuscitou.
Mas nas últimas semanas foram levantados andaimes a poucos centímetros do santuário, à sombra dos Arcos da Virgem. Foi o primeiro passo em um raro acordo entre as várias comunidades cristãs para impedir que o santuário dilapidado, também chamado de Edícula, desmorone.
O acordo de 22 de março prevê uma reforma de US$ 3,4 milhões (cerca de R$ 12,6 milhões) a ser iniciada no próximo mês, depois das comemorações da Páscoa ortodoxa.
Cada grupo religioso contribuirá com um terço dos custos, e um banco grego ofereceu 50 mil euros (R$ 211 mil) para os andaimes, em troca de ter seu nome estampado no maquinário.
A ideia é remover camadas com centenas de anos de história do santuário, limpá-lo e remontá-lo. Muito simples, mas adiado há décadas por causa das complexas regras e tradições minuciosas de séculos --chamadas de "status quo"-- que definem o modo como os lugares santos de Jerusalém são governados, em que o próprio fato de consertar alguma coisa pode implicar sua propriedade.
"Uma das questões sérias na igreja é que o status quo sobrepõe qualquer outra consideração, e não é uma boa coisa", disse Athanasius Macora, um frade franciscano. "A união é mais importante que uma guerra territorial."
A inspiração para essa união foi a ameaça de perder completamente o santuário. Alarmada por relatos de que o santuário corria risco de desabamento, a polícia israelense o interditou durante várias horas em 17 de fevereiro de 2015, expulsando os monges que o guardavam e impedindo a entrada de centenas de peregrinos.
A mensagem foi clara: consertem-no, ou...
Uriel Sinai/The New York Times
Mulher reza no túmulo de Jesus
Assim, depois de um ano de muito estudo e negociação, especialistas em conservação de monumentos pretendem primeiro remover a gaiola de ferro que os governantes coloniais britânicos de Jerusalém construíram em 1947, em um primeiro esforço para impedir o desabamento da Edícula, depois que um terremoto em 1927 e a chuva deixaram a estrutura rachada, com suas lajes de mármore se desprendendo.
Eles vão retirar todas as lajes, a concha de mármore ornamentada construída em 1810, durante o domínio otomano de Jerusalém. Os restauradores verão então os restos do santuário dos cruzados do século 12, que está por baixo.
Ele foi erguido depois que o governante xiita do Egito al-Hakim destruiu a primeira Edícula em 1009. A original foi construída por Helena, mãe do imperador romano cristão Constantino, que fez muito para elevar a posição do cristianismo por todo o império.
Finalmente, os trabalhadores vão reparar as rachaduras nos restos da tumba escavada na rocha embaixo dela, onde a maioria dos cristãos acredita que Jesus foi colocado após sua crucificação. (Há uma Tumba de Cristo rival perto das muralhas da Cidade Velha, frequentada principalmente por protestantes. Mas essa é outra história.)
Antonia Moropoulou, a especialista em restauração que chefia o projeto, disse que o santuário ficará aberto a visitantes durante a maior parte do minucioso processo.
Centenas de peregrinos esperavam para entrar alguns dias atrás, enquanto católicos rezavam a missa perto da Edícula, bloqueando a entrada com bancos de madeira. O santuário é coberto por uma grande cúpula cinza decorada com ouro, ícones, colunas, velas, lamparinas de bronze, inscrições e uma grande pintura de Cristo.
"Esta é uma superexperiência do meu espírito", disse Anil Macwan, 30, um pregador católico leigo da Índia. "O mundo não pode me dar o sentimento que tenho nesta tumba, neste lugar. É um local muito sagrado."
Duas mulheres da Eterna Ordem Sagrada dos Querubins e Serafins, da Nigéria, usando vestidos e véus azuis, caminharam descalças pela Edícula, atravessando a Capela do Anjo com suas paredes de mármore elaboradamente esculpido e proclamações em grego.
Elas se curvaram para passar pela porta baixa da Capela do Santo Sepulcro, onde, sob lamparinas a óleo, duas lápidas de mármore branco denotam a localização da tumba de rocha de Jesus.
As duas caíram de joelhos, levantaram os braços em súplica e murmuraram orações fervorosas. Depois esfregaram as mãos e fotos de crianças nas lápides.
Em outro dia, uma fila de muçulmanos indianos espremidos com turistas sul-coreanos, freiras indianas e cristãos árabes-americanos se estendia além da Capela dos Coptas, uma sala ligada aos fundos da Edícula, onde um monge que guardava o local estava absorto em seu smartphone.
As três comunidades cristãs mantêm vigilância na propriedade que já controlam, de tal forma que pode surpreender os forasteiros que chegam ao Santo Sepulcro, uma confusão cavernosa de arquitetura bizantina e dos cruzados, com altas cúpulas, salas enterradas, iluminação sombria, pesadas lâmpadas de bronze, pilares robustos e arcos elegantes.
Na entrada da igreja há um vistoso mosaico de ouro na parede, de propriedade dos membros da Igreja Ortodoxa Grega, que distrai da próxima Pedra da Unção, a lápide de mármore que cobre o lugar onde Jesus foi ungido.
Ao lado do mosaico há uma escada de propriedade dos católicos, que não querem movê-la. Fica ao lado de um corredor de alguns metros controlado pelos armênios, que leva à Edícula, onde padres não armênios de batina podem passar, mas não parar, porque isso seria uma sugestão de que estão contestando o controle armênio.
A última reforma importante começou nos anos 1950, quando as autoridades jordanianas que controlavam Jerusalém Oriental na época pressionaram os representantes cristãos a formar uma comissão técnica para lidar com os danos do terremoto de 1927. Mas o processo se interrompeu mais de dez anos depois, segundo o frade Macora.
Após a última disputa embaraçosa, em 2008, que foi publicada no YouTube, as comunidades rivais começaram a reparar suas relações de fato, consertando os banheiros como medida de boa vontade.
Em 2014, o papa Francisco se encontrou na Edícula com o patriarca ecumênico Bartolomeu 1º de Constantinopla, o líder espiritual dos cristãos ortodoxos, para promover a união.
Mas "alguém tinha de nos empurrar", disse o reverendo Samuel Aghoyan, representante do Patriarcado Armênio no Santo Sepulcro, que trocou sopapos com um patriarca grego anterior, Irineu 1º, no interior da Edícula no Sábado de Aleluia, antes da Páscoa, em 2002.
"Se o governo israelense não se envolvesse, ninguém teria feito nada."
Moropoulou, a restauradora que lidera a reforma, disse esperar que ela mantenha o espírito intangível "de um monumento vivo".
"Esta tumba é o lugar mais vivo", disse ela, do que "qualquer coisa que já vi em minha vida." E continuou: "O maior desafio é preservar isso".
 
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História de Jesus Cristo é atração em parque temático inspirado na Bíblia20 fotos

6 / 20
Ambiente interno de uma das construções do parque inspirado na Bíblia, nos Estados UnidosVEJA MAIS >Imagem: Cortesia de Holy Land Experience
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

terça-feira, 29 de março de 2016

Malafaia convoca mega-ato com 'profecias' sobre fim da corrupção após era PT


Agência PTImage copyrightAgencia PT
Image captionUm dos organizadores de ato profético, Malafaia promete "descer a marreta" no governo
Presidente do Conselho de Pastores do Brasil, que reúne 10 mil líderes evangélicos, e seguido por mais de 2,5 milhões de perfis em diferentes redes sociais, o pastor Silas Malafaia prepara um "ato profético", em Brasília, que deve reunir líderes de 85% da população evangélica brasileira e milhares de fiéis.
Previsto para coincidir com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso, o ato deve mobilizar caravanas de ônibus e promete revelar profecias, segundo o pastor, sobre o "fim da corrupção e da crise econômica" no Brasil.
"O ato profético é para declarar que a corrupção vai acabar, que toda a bandalheira vai ser exposta", diz. Sobre a complexidade da promessa, Malafaia argumenta: "Quando Israel vivia períodos de crise, levantava um profeta que dizia que viriam tempos de paz e prosperidade. E aquilo tudo mudava. Então nós conhecemos esta prática."
Apesar de prometer, pessoalmente, "descer a marreta" no governo, ele afirma que o ato é sobretudo religioso.
"O problema do malandro é pensar que todo mundo é burro e só ele é esperto", diz. "Seria uma afronta usar a minha religião para escorar minha ideologia política. Acho isso uma covardia."
Leia os principais trechos da entrevista à BBC Brasil:
BBC Brasil - O senhor está convocando um "ato profético" em Brasília. Qual será a profecia?
Silas Malafaia - Vamos trazer líderes evangélicos para podermos orar para livrar o Brasil do caos, da desgraça social, desmascarar essa corrupção toda e termos dias de paz e prosperidade. Cada líder tem o direito de falar o que quiser: tanto pedir oração, quanto falar algo acerca do governo. Eu vou descer a marreta em cima destes caboclos. Mas o ato em si não é para ser a favor ou contra o governo.
BBC Brasil - Quem acompanha o senhor no Twitter sabe que não haverá lideranças pró-governo no ato.
Silas Malafaia - Não, não vai ter. Conheço todos os caras que estão dando apoio. Não vai ter. Se tivesse algum, ia dar vaia. Eu conheço o que o povo evangélico defende.
Agencia BrasilImage copyrightAgencia Brasil
Image caption"Se o ato fosse meu, eu diria: 'Vamos pedir a cabeça de Dilma'", diz pastor
BBC Brasil - Se ninguém defende o governo em um ato sobre o futuro do país, o argumento religioso não pode parecer apenas retórico? O que diria a quem acredita que o discurso religioso mascara o objetivo político do ato?
Malafaia - Deixa eu ser bem honesto com você. O ato é uma convocação para fazermos uma oração pelo Brasil. Por isso falamos um ato profético em favor do Brasil. Se algum pastor falar alguma coisa (sobre o governo), a responsabilidade é dele. Eu não falo pelos evangélicos porque não tenho procuração. Se o ato fosse meu, eu diria: 'Vamos pedir a cabeça de Dilma'. Como não é meu, não posso falar que vai ser um ato exclusivo (contra o governo). Uns 70 a 80% dos pastores vão se ater só à questão espiritual, vão bater na tecla de orar pelo Brasil.
BBC Brasil - O que significa o termo profético?
Silas Malafaia - Um ato profético é fazer declarações sobre o futuro de um país. Profecia é coisa que ainda vai se cumprir, correto? É algo que vai acontecer e que se antecipa. Nós vamos declarar que o Brasil vai ser próspero, vai ter paz e vai ficar livre da corrupção, da crise econômica. Isso tudo é profético.
BBC Brasil - Então sua profecia é que crise econômica e corrupção vão terminar junto com o governo.
Silas Malafaia - Isso aí. É isso aí. É isso aí mesmo. O ato profético é para isso, é para declarar que a corrupção vai acabar, que toda a bandalheira vai ser exposta, que não vai ter derramamento de sangue, porque os 'esquerdopatas' têm o DNA da baderna, da desordem.
BBC Brasil - Não parece é difícil bancar uma profecia de fim da crise econômica e da corrupção, pastor?
Silas Malafaia - Não é difícil, não, rapaz. Na Bíblia, em épocas em que Israel vivia períodos de crise e fome, levantava um profeta que dizia que viria um tempo de paz e prosperidade. E aquilo tudo mudava. Então nós conhecemos esta prática. Agora, eu, além de liberar a palavra profética, vou 'sacudir a roseira' sobre o que está acontecendo, não tenha dúvida.
BBC Brasil - Por que a data 11 de maio?
Silas Malafaia - É muito difícil conseguir licença para a Esplanada dos Ministérios. Nós vamos montar uma estrutura violenta, não vai ser trio elétrico, não. Mas devo conseguir antecipar para o dia 27 de abril, quando o impeachment estará na beira, lá no Senado. Se for em maio também vale, mas queremos antecipar para chegar junto deste momento que estamos vivendo.
BBC Brasil - Um grupo de lideranças evangélicas em 25 Estados lançou um manifesto a favor do Estado Democrático de Direito e contra alguns procedimentos da Lava Jato. Como avalia?
Silas Malafaia - [gargalhada] Isso é o comunismo no Evangelho. A maioria destes caras, não todos, têm ONGs que mamam no governo. Não representam 1% dos evangélicos do país. Tem luteranos nisso aí, metodistas, presbiterianos... Eu conheço os caboclos, é tudo petista, meu chapa. Eu já disse: assino qualquer documento pelo afastamento de Cunha, Dilma e Renan. Não sou hipócrita.
BBC Brasil - O senhor, no ato profético, pretende reiterar o pedido afastamento de Cunha, Dilma e Renan?
Silas Malafaia - Vou. [pausa] Aqui no meu ato vão estar líderes que representam 85% dos evangélicos do país. No Brasil, tem 55 milhões de evangélicos. Para tu ver. Estes outros são 1%.
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Image captionMalafaia diz que, em seu evento, vai reiteirar pedido de afastamento de Dilma, Renan e Cunha
BBC Brasil - O senhor prega dezenas de vezes ao dia pelo fim do governo, em redes sociais e cultos. Não haveria um conflito de interesses entre religião e política neste discurso?
Silas Malafaia - O cristianismo é uma ideologia. Quem disse que a de Marx vale mais? Isso é uma falácia para impedir a manifestação das pessoas. O estado é laico, não tem religião, mas não é laicista, não é contra a religião. Quem falou que a política é laica? Ela representa os anseios e ideologias do povo, sejam eles ateístas, comunistas ou cristãos. Não se pode descartar crenças e valores de uma pessoa. Eu, quando falo, falo como cidadão e isso independe do meu cargo e função. Sou um cidadão brasileiro.
BBC Brasil - Com uma visibilidade bastante amplificada pelo trabalho de evangelizador.
Silas Malafaia - Ah, aí, meu filho... Nenhum pastor pode dizer que a igreja evangélica é contra o governo. Eu não tenho nem autoridade para falar em nome da minha Igreja, porque dentro dela tem gente que gosta do governo. Seria uma afronta eu usar a minha religião para escorar minha ideologia política. Acho isso uma covardia. Mas eu acredito que 80% dos evangélicos são a favor do impeachment. Pelo que observo e ouço. Mas não posso dizer que são a favor.
BBC Brasil - O senhor separa religião e militância então?
Silas Malafaia - Estou sendo bem franco. Querer enganar quem sabe é ser idiota. O problema do malandro é pensar que todo mundo é burro e só ele é esperto. Acho uma afronta pegar a igreja e botar neste balaio. Como eu tenho uma notoriedade minha palavra vai ter um peso. Veja o presidente da FIESP. Queria saber, se ele não fosse presidente, se ia ter alguma notoriedade quando abre a boca. Eu não tenho partido político.
BBC Brasil - As igrejas vão oferecer alguma estrutura para trazer fiéis para Brasília?
Silas Malafaia - Por isso falo que não é um ato político. Como estou dizendo que é um ato profético, muitos pastores vão trazer membros para orar pelo Brasil.
BBC Brasil - Para este ato profético, vão trazer fiéis?
Silas Malafaia - Acredito que muitos pastores vão mandar ônibus com gente de vários lugares do Brasil.
BBC Brasil - Mas o senhor critica CUT e MST por trazerem militantes para protestos.
Silas Malafaia - Aqui, meu filho, é cada um por si. Eu não pago nada, não pago lanche, porcaria nenhuma.