segunda-feira, 28 de dezembro de 2015


7 mitos sobre Plutão que você deveria parar de acreditar

mitos sobre Plutão
28/12/15 Alguns mitos sobre Plutão são repassados como "verdades", mas as pesquisas mostram o contrário...

Nos confins do Sistema Solar encontramos Plutão, o planeta anão que outrora era conhecido como o nono e mais distante planeta do Sistema Solar. Agora ele é classificado como planeta anão, porém, sua grande distância continua sendo a principal responsável pelos mistérios e dúvidas que o cercam.

Desde sua descoberta, em 1930, a humanidade nunca esteve tão próxima de Plutão. Em julho de 2015, a sonda New Horizons fez sua primeira aproximação com o planeta anão, quando chegou a 12.500 km de sua superfície, capturando imagens incríveis e resolvendo mistérios de longa data. Mas claro: Plutão ainda é um dos maiores mistérios do Sistema Solar, e apesar de não compreendê-lo por completo, algumas verdades científicas devem ser repassadas, e alguns mitos, desmistificados...

Confira os 7 maiores mitos (e conceitos errôneos) sobre Plutão:


Mito 1 - Plutão é muito pequeno

Algumas pessoas pensam que Plutão é pequeno, assim como um asteroide qualquer do Cinturão Principal. Na verdade, Plutão é bem robusto, com cerca de 2.360 km de diâmetro (cerca de dois terços a largura da nossa Lua). A maior lua de Plutão, Caronte, tem 1.207 km por si só. Já seus outros quatro satélites conhecidos são realmente muito pequenos...

Comparação de tamanhos planetas anões
Comparação de tamanhos dos planetas anões (e suas luas) com a Terra.
Créditos: Wikimedia Commons
Além disso, Plutão é consideravelmente maior do que praticamente todos os outros objetos no Cinturão de Kuiper, o anel de corpos gelados além da órbita de Netuno. A grande maioria dos objetos do Cinturão de Kuiper são do tamanho de cometas, com poucos quilômetros de diâmetro. Várias dezenas têm pelo menos algumas centenas de quilômetros, mas apenas 2 objetos (até onde se sabe) têm mais de 2.000 km de diâmetro: Plutão e Eris, ambosplanetas anões, e com o mesmo tamanho aproximado.


Mito 2 - Plutão é muito escuro com pouca luz do Sol

Plutão orbita o Sol a uma distância de mais de 4,8 bilhões quilômetros em média, por isso muitas pessoas imaginam que sua superfície deve ser escura como o breu o tempo todo. Mas de acordo com Alan Stern, principal investigador da New Horizons, a iluminação em Plutão ao meio-dia não é tão baixa quanto se pensava. Seria como um dia nublado e cinza aqui na Terra, com os mesmos níveis de radiação do crepúsculo. Ou seja, pode não ser como no Ceará, "a Terra do Sol", mas também não é tão escuro quanto se pensava...


Mito 3 - Plutão era uma lua de Netuno

Esta é uma velha teoria de que se tornou popular logo após a descoberta de Plutão. Ela foi refutada em 1965, quando pesquisadores descobriram uma ressonância orbital entre Plutão e Netuno, que simplesmente impedia a possibilidade dos dois estarem relacionados, mesmo no passado.

Plutão foi uma lua de Netuno?
Ilustração artística.
Créditos: Wikimedia Commons


Mito 4 - Plutão é um mundo de gelo

A superfície de Plutão é coberta por muito gelo, incluindo nitrogênio congelado e metano congelado, mas a densidade de Plutão como um todo, é duas vezes a densidade do gelo de água, o que mostra que a massa do planeta é constituída apenas por um terço de gelo, e dois terços de rocha.


Mito 5 - Plutão não tem ar em sua atmosfera

Os investigadores descobriram, na década de 1980, que Plutão tem uma atmosfera composta principalmente de nitrogênio, assim como a atmosfera da Terra. Mas o ar de Plutão, que também contém monóxido de carbono e metano, é muito mais fino do que o da Terra, e estende-se significativamente mais longe no espaço.

Plutão atmosfera
Ilustração artística de Plutão.
Créditos: NASA / JPL-Caltech

Por exemplo, a atmosfera da Terra chega a 600 km acima da superfície do planeta (cerca de 10% o raio da Terra). Em contrapartida, o limite exterior da atmosfera de Plutão encontra-se a a cerca de 7 raios de Plutão acima de sua superfície. O volume da atmosfera de Plutão, portanto, é de mais de 350 vezes maior do que o próprio planeta anão, de acordo com o co-investigador da New Horizons, Michael Summers. Levando isso em consideração, poderíamos até chamar Plutão de "Planeta Ar"... mas claro, os cientistas não iam gostar nem um pouco disso...


Mito 6: A órbita de Plutão é estranha e diferente de tudo

A órbita de Plutão é muito elíptica (alongada), trazendo o planeta anão tão próximo quanto 4.430 milhões quilômetros do Sol, e tão distante quando 7,31 bilhões de quilômetros da nossa estrela. Além disso, a órbita de Plutão é inclinada em cerca de 17° em relação ao plano da eclíptica, o plano da órbita entre a Terra e o Sol.

Os parâmetros orbitais de Plutão são muito diferentes dos oito planetas oficiais, que tendem a mover mais ou menos no mesmo plano ao redor do Sol, praticamente com órbitas bem circulares... mas não isso não faz de Plutão o detentor da órbita mais estranha do Sistema Solar. Outros habitantes do Cinturão de Kuiper, como os planetas anões Eris e Haumea, têm órbitas ainda mais elípticas e inclinadas, isso sem contar com a órbita de cometas que são altamente alongadas, ou a trajetória de alguns planetas extrassolares...


Mito 7 - Plutão é o planeta anão mais distante do Sol

Orbita de Plutão e Eris
Créditos: Galeria do Meteorito

A localização de Plutão realmente é muito, muito distante. Enquanto a luz do Sol leva cerca de 8 minutos para chegar na Terra, ela viaja por mais de 5 horas para chegar em Plutão. Mesmo assim, Plutão não é o planeta anão mais distante do Sistema Solar. O planeta anão Eris é o mais distante de sua categoria, e se compararmos com outros Objetos Trans-Netunianos, como Sedna, Plutão nem parece estar tão longe assim... Para se ter uma ideai da distância, nessa imagem não podemos ver a órbita do Objeto Trans-Netuniano Sedna, justamente por estar longe o suficiente para não ser enquadrada...

Ou seja, Plutão está muito, muito longe do Sol, mas como tudo no Universo consegue nos surpreender, outros planetas e objetos encontram-se ainda mais distantes, e portanto, mais difíceis de serem estudados.

'Tiririca presidente'? Veja como a internet enganou você em 2015


Milhares de notícias e imagens foram compartilhadas à exaustão na internet em 2015. Só que muitas viralizaram pelos motivos errados.
Artimanhas como montagens para enganar o público, uso de fotos reais, mas antigas, em desastres recentes e boatos surrealistas sobre política estão entre os principais "fakes" do ano no Brasil e por todo o mundo.
Por aqui, o deputado federal e humorista Tiririca (PR-SP) foi citado como eventual sucessor de Dilma Rousseff, com direito a carta atribuída a ele, em que diria que assumiria o cargo em caso de impeachment, mas "com tristeza".
Lá fora, uma fotomontagem das ruas de Paris vazias foi relacionada aos ataques na capital francesa.
A BBC preparou uma lista com algumas destas "pegadinhas". Você foi enganado por alguma delas?

A foto emocionante compartilhada durante o terremoto no Nepal

Image copyrightOther
Image captionFoto de irmãos foi compartilhada durante terremoto no Nepal, mas retrata crianças no Vietnã em 2007
Esta foi uma das fotos mais compartilhadas nos dias que se seguiram ao terremoto devastador que atingiu o Nepal em abril. A imagem não é falsa, mas enganou muita gente.
Ela foi descrita à época como "menina de dois anos de idade sendo protegida por irmão de quatro anos no Nepal" e foi postada milhões de vezes no Facebook e no Twitter, despertando apelos por doações.
Mas essa foto foi tirada, na realidade, em uma vila remota no Vietnã ainda em 2007.
"Essa é provavelmente minha foto mais compartilhada", disse o fotógrafo autor do clique, Na Son Nguyen. "Mas infelizmente, foi no contexto errado".

'Chip da Dilma'

Image copyrightPR
O suposto chip que o governo Dilma implantaria em todos os brasileiros ocupou o topo da lista de assuntos mais buscados por brasileiros na internet durante semanas.
Segundo o boato, o implante subcutâneo seria um plano para monitorar mentes e vigiar cidadãos.
O enredo, entretanto, não é novo. Notícias falsas sobre a "chipagem" de europeus e norte-americanos circulam pela web, de acordo com o site E-farsas, desde pelo menos 2008.
A história teria surgido após um discurso da presidente sobre um novo documento, que possui chip interno, anunciado como substituto do RG nos próximos anos.

O imigrante que registrou sua jornada para a Europa no Instagram

Image copyrightOther
Imagens incríveis que pareciam mostrar um homem documentando sua jornada partindo do Senegal para a Espanha surgiram no Instagram durante o verão europeu.
As "selfies" fizeram sucesso na internet, e o perfil dele no Instagram acumulou milhares de seguidores. Além disso, muitas pessoas faziam comentários de incentivos nas fotos.
No entanto, houve alguma desconfiança por causa do uso que ele fazia de hashtags como #InstaLovers e #RichKidsofInstagram. No fim, descobriu-se que, na realidade, tratava-se de uma campanha de marketing feita na rede social para um festival de fotografia no norte da Espanha.

Tiririca Presidente

Image copyrightAg. Brasil
"Digo aos brasileiros, e em especial aos meus eleitores, que se por acaso acontecer o impedimento eu não fugirei a esta responsabilidade que a situação política pode trazer. Assumirei com tristeza este cargo que nunca imaginei que um dia viesse ocupar."
As palavras estão numa carta atribuída ao deputado Tiririca, depois negada por seus assessores. O boato de que Tiririca estivesse na linha de sucessão de Dilma Rousseff em caso de impedimento foi tamanho que notas desmentindo o fato foram publicadas em jornais importantes do país.
Na realidade, o primeiro na fila de sucessão de Dilma é o vice-presidente Michel Temer, depois Eduardo Cunha, presidente da Câmara, em seguida Renan Calheiros, presidente do Senado e, em quarto, Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Um refugiado posando como militante do "EI"?

Image copyrightOther
No auge da crise de imigrantes, uma sequência alarmante de fotos "antes e depois" relacionando membros do grupo que se autodenomina "Estado Islâmico" a refugiados começou a se espalhar pelo Facebook.
"Lembram desse cara? Posando para fotos do ‘EI’ no ano passado – agora ele é um refugiado", escreveu uma pessoa.
O homem na foto foi posteriormente identificado como Laith al-Saleh, um antigo comandante do "Exército Livre da Síria", um grupo de rebeldes moderados que fazem oposição ao presidente sírio Bashar al-Assad. Ele fugiu da Síria e chegou à Macedônia em agosto deste ano.
Depois de saber a verdade, a pessoa que começou a compartilhar a foto pediu desculpas.

Privilégios para deficientes

Image copyrightPREFEITURA DE CURITIBA
"Redução em 50% das vagas exclusivas pra deficientes. Fim das cotas para deficientes em empresas. Redução em 50% de filas e assentos exclusivos para deficientes. Fim da isenção de impostos na compra de carro zero. Fim das cotas em concurso público. Fim da gratuidade para deficientes."
Eram estes os motes de um outdoor colocado em uma rua de Curitiba (PR) pedindo o "Fim dos privilégios aos deficientes".
A imagem gerou comentários de reprovação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Paraná e na Câmara de Vereadores da capital.
Pouco depois, no entanto, foi revelado que o anúncio era uma ação de marketing do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba.
Em sua página no Facebook, o conselho explicou a iniciativa: "Nós sabemos que vocês ficaram chocados com as reivindicações feitas pelo movimento. E esse choque, é o nosso alívio. O desrespeito que aconteceu na internet durou só um dia, mas as pessoas com deficiência enfrentam essa afronta todos os dias."

Uma foto da banda Eagles of Death Metal em um show

Image copyrightOther
Assim que surgiram as primeiras notícias dos ataques coordenados em Paris em novembro, várias imagens enganosas surgiram gerando rumores e confundindo ainda mais quem estava em busca de informações.
Um caso particularmente sério foi essa imagem, divulgada de maneira completamente errada nas redes sociais, como se fosse uma foto do público na casa de shows Bataclan – alvo do ataque mais mortal naquele dia em Paris – pouco tempo antes dos extremistas abrirem fogo contra os que estavam ali.
Mas a foto é de um show mais antigo, em Dublin, e havia sido postado na página da banda no Facebook um dia antes dos ataques.

As ruas vazias de Paris

Image copyrightOther
Image captionFoto teve milhares de compartilhamentos no Twitter - pessoas achavam que era imagem de Paris um dia após os atentados
Essa imagem foi amplamente retuitada e mostra as ruas vazias de Paris supostamente depois dos ataques na capital francesa.
Mas a imagem, na realidade, veio de um projeto chamado "Silent World" (Mundo Silencioso, na tradução livre), que usa truques de fotografia para simular como seriam as cidades no fim do mundo.

E finalmente…um marido em uma atitude extrema de vingança

Image copyrightOther
Image captionMarido teria serrado pela metade todos os seus bens após divórcio e colocado tudo à venda no eBay
A história de um homem alemão divorciado que teria serrado tudo o que possuía pela metade para vender enganou muita gente – inclusive até parte da mídia – em junho. O leilão disponível no site eBay era real, mas a história não.
Depois que o vídeo se tornou viral, com quase 4,5 milhões de visualizações no YouTube, a Associação de Advogados Alemães admitiu que eles próprios haviam inventado a história, como parte de uma campanha de marketing.
"Às vezes você precisa fazer as coisas pela metade", eles sugeriram.

Especial: as 10 notícias que marcaram a ciência e tecnologia em 2015

De emoji eleito a palavra do ano a chegada em Plutão, separamos as notícias mais curiosas e impressionantes que marcaram o universo da ciência e tecnologia nesse ano
Não são raras as vezes que notícias do mundo da ciência, pesquisa e tecnologia acabam questionando nossa realidade.
Afinal, alguns dos temas são tão futurísticos, que poderiam ter saído diretamente de um roteiro de ficção científica. 
Pensando nisso, abaixo reunimos algumas das notícias mais curiosas e impressionantes desse universo que fizeram manchete em 2015. 
1. Etiquetas de pele criam baterias humanas
AdesivoBateria
Em resumo, máquinas já estão usando pessoas para fins de… energia. Em janeiro, pesquisadores da Universidade de Singapura revelaram um sistema para dispositivos móveis que coleta energia diretamente da pele de uma pessoa. O adesivo, do tamanho de um selo postal, “colhe” eletricidade estática resultante do atrito entre duas superfícies diferentes e já conseguiu energia suficiente para alimentar lâmpadas LEDs. Mas o adesivo em questão é apenas um dos que se encontra em desenvolvimento para tentar se beneficiar de humanos para gerar energia para dispositivos móveis ou vestíveis. Trata-se de uma grande área de pesquisa. 
2. Você tomaria ordens de um chefe robô?
HitachiRobot 
Em setembro, a multinacional Hitachi anunciou a promoção do primeiro gerente de inteligência artificial do mundo. De acordo com o comunicado enviado à imprensa na época, o sistema de inteligência artificial tem como função supervisionar funcionários (humanos) em fábricas e dar ordens. Ele conta com interface com grandes sistemas de dados baseados em nuvem, e promete melhorar a eficiência da equipe (novamente, humana) em 8%. 
3. Artista desenha usando apenas seus olhos 
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Graham Fink é um artista multimedia britânico especializado em criar retratos de pessoas simplesmente ao encarar a tela de um computador. É claro que falando assim, soa simples. Mas não, não é algo tão simples. 
Fink usa software avançado de rastreamento do olhar - além de uma concentração sobre-humana - para criar imagens ao deslocar seu olhar em torno de uma tela. Enquanto isso, a câmera de rastreamento ocular utiliza luz infravermelha para rastrear movimentos minuciosos de suas pupilas a medida que ele desenha. 
4. Robôs programados para aprender como crianças
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Isso é o que acontece quando você coloca cientistas e psicólogos em um laboratório juntos. Uma equipe multidisciplinar da Universidade de Washington anunciou em novembro um novo sistema para ensinar robôs aprenderem como crianças aprendem. Ao combinar pesquisa em desenvolvimento de crianças como algoritmos de aprendizado de máquina, a nova abordagem espera replicar milhões de anos de evolução biológica. 
A nova técnica pedagógica poderia ser menos preocupante não fosse por algumas notícias - aparentemente - não relacionadas que se deram no início desse ano. Em junho, pesquisadores da Universidade de Cambridge construíram um “robô-mãe” que consegue construir seus próprios bebês-robôs de forma independente, selecionando características ideais para cada geração de robôs. Ah sim, esperamos que tudo dê certo. 
5. Roupa para esportes que muda conforme você sua
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No futuro, quando a sua camisa se transformar e contorcer enquanto você malha na academia, lembre do item de número "5" dessa lista. Em outubro, o Tangible Media Group do MITapresentou uma espécie de “segunda pele” sintética que muda por conta própria sua forma, abrindo “janelas” que permitem que a transpiração evapore. Dito de outra forma, quando você começar a suar, sua camisa começará a se mover. 
O material batizado de BioLogic, desenhado para ser feito em impressoras 3D, é ativado por limites específicos de calor e umidade. E aí vem a verdadeira diversão: Os atuadores em nanoescala no tecido são, na verdade, microorganismos vivos - especificamente, bactérias, que têm sido usadas na medicina e na fermentação por séculos. O MIT está trabalhando com a marca esportiva New Balance para trazer a tecnologia para as prateleiras do varejo. 
6. Um Emoji foi considerado a palavra do ano 
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Enquanto isso, no universo linguístico, a tecnologia conquistou a linha de frente do idioma inglês desse ano. Em novembro, o tradicional Dicionário Oxford fez história ao eleger um emoji como a palavra oficial do Ano de 2015. E não qualquer emoji ou muito menos o termo “emoji” ganhou o páreo. No caso, o "emoticon com lágrimas de alegria". Quando o Dicionário Oxford escolhe entre todas as palavras um ideograma da Internet, bem, acho que é seguro dizer que os tempos estão mudando. 
7. Sistema de computação quântico viaja no tempo
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Um grupo internacional de pesquisadores conquistou manchetes há algumas semanas quando anunciaram um modelo de computador que envia dados de volta no tempo
Bem, você vai precisar de um doutorado ou talvez três deles para realmente entender o que eles fizeram, mas aqui vai a essência: através da profunda complexidade da física quântica, pacotes de dados podem ser enviados via uma “curva de tempo fechada” que atua como uma espécie de buraco de minhoca através do tecido do espaço-tempo. 
Se os pacotes de dados que viajam no tempo estão "emaranhados" com outro sistema de dados no laboratório aqui-e-agora, as correlações entre os dois conjuntos de dados pode alimentar uma espécie de supercarregado computador quântico que viaja no tempo. Esse computador pode, por sua vez, ser usado para resolver os problemas matemáticos que têm sido até agora impossíveis de resolver. Além disso, os pacotes de dados temporais giraria em um universo alternativo, mas há sempre alguns bugs com essas coisas. 
8. Biohacker dá a si mesmo visão noturna 
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O termo “biohacking” possui hoje em dia diferentes conotações, mas no reino do Faça Você Mesmo, a tecnologia se refere àquelas pessoas insanamentes corajosas que colocam seus próprios corpos em nome da ciência. 
Em maio, um grupo biohacker publicou uma pesquisa open source de um experimento notável de um homem, no qual, aparentemente, deu a si mesmo o poder de um super-herói: visão noturna. 
Aqui está a parte angustiante: o voluntário Gabriel Licina atingiu o efeito de visão noturna por ter uma substância chamada “clorina e6” injetada diretamente em seus olhos. O composto orgânico conhecido por ter propriedades de amplificação de luz deu a Licina visão temporária de pouca luz para uma gama de cerca de 50 metros, de acordo com o grupo “Science for the Masses” (em tradução, Ciência para as massas). Licina não sofreu efeitos adversos, além de um olhar excepcionalmente assustador por várias horas.
9. Carro sem motorista do Google é parado por baixa velocidade
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No início de novembro, um carro do Google foi parado em Mountain View por tumultuar o trânsito local. No entanto, ao contrário do que poderia se esperar, o pequeno carro da companhia não excedia os limites de velocidade e sim dirigia muito abaixo do recomendado, causando um grande congestionamento. 
Os veículos autônomos do Google têm permissão para rodaram em ruas públicas dentro da Califórnia, mas apenas em zonas onde o limite é 56 km/h. O carro que foi parado dirigia a 38 km/h.
10. Após viagem de 9 anos, New Horizons finalmente chega a Plutão
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Após nove anos e 5 bilhões de quilômetros, a sonda New Horizons fez história ao chegar em meados de julho ao seu principal destino: Plutão. 
Lançada em 2006 a bordo do foguete Atlas, a sonda tinha como uma de suas missões enviar imagens e dados científicos daquele que já foi o nono planeta de nosso sistema solar. As análises a partir desses dados têm surpreendido cientistas, entre elas a descoberta de que Plutão mostra terreno com prováveis dunas, crateras, regiões montanhosas, uma rede de vales e água em estado sólido.
As imagens integram um dos downloads "mais pesados" da história. Uma vez que a New Horizons se encontra tão distante de nosso planeta, mais de cinco bilhões de quilômetros para ser exato, dados viajam a centenas de milhares de vezes de forma mais lenta do que uma banda larga por fibra ótica. Em resumo, levará 16 meses para baixar todo o conteúdo captado pela sonda.

IBGE: divulgado editais com 600 oportunidades. Níveis médio e superior

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Na manhã desta segunda-feira (22), foram publicados no Diário Oficial da União – DOU, três editais de concurso público do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os editais oferecem um total de 600 vagas para cargos de níveis médio e superior.
O primeiro edital traz 460 vagas para o cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas, o segundo oferece 90 oportunidades de Analista de Planejamento, Gestão e Infraestrutura em Informações Geográficas e Estatísticas, já o terceiro e último edital traz 50 vagas de Tecnologista em Informações Geográficas e Estatísticas.
A vaga de Técnico exige nível médio, já as demais são para candidatos de nível superior. A remuneração de nível médio pode chegar a R$ 5.011,01, incluindo benefícios e gratificações. Já os candidatos às vagas de nível superior recebem salário de até R$ 9.107,88, incluindo benefícios e retribuições.
Os interessados devem se inscrever na página da Fundação Getúlio Vargas –http://fgvprojetos.fgv.br/concursoso, do dia 04 ao dia 28 de janeiro. A taxa custa R$ 49 – Técnico e R$69 – Analista e Tecnologista.
Os candidatos farão teste objetivo nos dias 10 ou 17 de abril. Candidatos ao posto de Técnico responderão 60 perguntas sobre língua portuguesa (20), geografia (15), matemática (15) e conhecimentos sobre o instituto (10). Já os inscritos para as funções de Analista ou Tecnologista responderão 70 questões sobre língua portuguesa (15), língua inglesa (10), raciocínio lógico quantitativo (10) e conhecimentos específicos (35). No caso do tecnologista na área de estatística, serão 70 perguntas sobre língua portuguesa (15), língua inglesa (10) e conhecimentos específicos (45).
Quem estiver inscrito para a função de Analista na área de Análise de Sistemas/Desenvolvimento fará a prova com 60 questões, sobre língua portuguesa (10), língua inglesa (10), raciocínio lógico quantitativo (10) e conhecimentos específicos (30).
Ainda haverá teste discursivo e prático para algumas funções, previstos para serem realizados nos dias 10 de abril e 03 de maio, respectivamente.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

25/12/2015 05h05 - Atualizado em 25/12/2015 09h02

Cientistas cancelam folgas de fim de ano para estudar o vírus zika em SP

Rede de pesquisa para epidemia e microcefalia já tem 31 laboratórios.
Biólogos já começaram experimentos com camundongos infectados.

Rafael GarciaDo G1, em São Paulo
Jean Pierre Peron (esq.) com sua equipe e camundongos usados em experimento com o zika (Foto: Rafael Garcia/G1)Jean Pierre Peron (esq.) com sua equipe e camundongos de experimento com o zika (Foto: Rafael Garcia/G1)
Os cientistas da rede de pesquisa montada em São Paulo para pesquisa do vírus zika vão passar o recesso de Natal e Ano Novo trabalhando para estudar a doença. Pelo menos 160 pesquisadores, distribuídos por 31 laboratórios pelo estado, estão com projetos em andamento.
Na terça-feira (22), o ICB (Instituto de Ciências Biomédicas), da USP, já tinha conseguido manter culturas do vírus em células -- algo necessário para uso em experimentos e para diagnósticos por DNA. As primeiras fêmeas de camundongo grávidas foram infectadas na véspera de Natal, para um estudo que busca mostrar como o zika pode estar causando casos de microcefalia, fenômeno registrado sobretudo no Nordeste.
Segundo os cientistas, a expectativa é que, dentro de pouco mais de um mês, já exista um exame para diagnosticar o zika por sorologia -- mais prático, barato e versátil que o de DNA. Isso será essencial para investigar a distribuição do vírus em São Paulo, onde se suspeita que muitos diagnósticos de dengue sejam na verdade casos de zika.
"Os dias em que esse vírus passa circulando invisível já estão contados", afirma Paolo Zanotto, do ICB, que está agora coordenando a rede de pesquisa. A criação da força tarefa partiu de uma iniciativa dos próprios cientistas, há mais de um mês, que movimentaram verbas de outros projetos para começar a trabalhar no zika.

6 desafios da força-tarefa contra o zika

1) explicar como o zika causa microcefalia e entender seus efeitos no sistema nervoso
2) sequenciar o DNA do vírus e obter pistas iniciais para o desenvolvimento de vacinas
3) estudar a interação do zika com o 
Aedes aegipti para melhorar combate ao mosquito
4) desenvolver um diagnóstico rápido e versátil para identificar casos de zika
5) entender a interação das doenças transmitidas pelo 
Aedes
6) mapear casos do vírus em São Paulo para planejar ações de combate ao mosquito

A Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo), repassou nesta semana aos cientistas um montante de R$ 516 mil para início dos trabalhos em caráter emergencial. Antes disso os pesquisadores estavam realocando verbas de outros projetos para não terem que esperar o dinheiro chegar para começar a comprar materiais de experimentos.
A maior parte dos grupos de trabalho envolvidos no projeto, 16, estão na USP. A Unesp tem 6, a Unicamp tem 3 e o Instituto Butantan 2. A Unifesp, a Faculdade de Medicina de Jundiaí e a Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto) têm, cada uma, um grupo até agora.
O virologista Paolo Zanotto, da USP, coordenador da rede que pesquisa o vírus zika em São Paulo (Foto: Rafael Garcia/G1)Paolo Zanotto, da USP, coordenador da rede que pesquisa o zika em São Paulo (Foto: Rafael Garcia/G1)
Zanotto ainda negocia a participação de mais pesquisadores, incluindo grupos de fora de São Paulo. A Fiocruz foi convidada a se juntar ao grupo, mas não respondeu. Tanto a Fiocruz quanto o Instituto Adolfo Lutz desenvolvem trabalhos paralelamente aos da rede concentrada na USP.
Um dos principais esforços do grupo é o de mapear a distribuição do vírus em São Paulo. Para isso, o laboratório de virologia clínica do ICB, liderado pelo cientista Edison Durigon, firmou um acordo com o laboratório Dasa, que controla as redes Fleury e Lavoisier, para criação de um diagnóstico por DNA.
A ideia é que casos suspeitos em 14 estados do país passem pelas instalações centrais do Dasa em Barueri (SP) e que as notificações sejam enviadas a grupos nos locais de infecção. Com dados acompanhados dos endereços dos pacientes, os cientistas esperam ajudar a planejar ações mais concentradas de eliminação dos mosquitos nos focos de zika.
Durigon e Zanotto usaram a mesma técnica num estudo piloto para controlar a dengue no Guarujá e obtiveram bons resultados.
Para conseguir gerar as quantidades de vírus necessárias para uso pelo Dasa e por todos os cientistas da rede, os cientistas estão trabalhando dia e noite. Com a USP em recesso nesta semana, os prédios com laboratórios das áreas biomédicas são os únicos funcionando em quase todo o campus.
Zika e sistema nervoso
Um dos experimentos mais importantes iniciados agora foram os do cientista Jean Pierre Peron, do ICB, que busca entender a relação entre o zika e o sistema nervoso. "A gente está tentando ver se de fato há alguma relação entre os casos de microcefalia, o zika, e a síndrome de Guillain-Barré, uma síndrome autoimune pós-infecciosa", explica o pesquisador.
A síndrome, que ocorre quand o sistema imune ataca o sistema nervoso, pode ser desencadeada por diversos patógenos, mas suspeita-se que o zika esteja por trás de alguns casos que têm ocorrido no país.
Peron está mantendo em um biotério os camundongos que infectou com o vírus e vai acompanhar o efeito. No caso das fêmeas prenhas, a ideia é verificar se o cérebro dos filhotes será afetado assim como nos casos humanos de microcefalia.
Se os mecanismos moleculares pelos quais o sistema nervoso se deteriora forem identificados, os cientistas esperam encontrar alguma droga que possa interferir no processo.
Patrícia Braga e Raphael Cruz, da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, que realizarão experimentos com o vírus zika (Foto: Rafael Garcia/G1)Patrícia Braga e Raphael Cruz, da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, que realizarão experimentos com o vírus zika (Foto: Rafael Garcia/G1)
'Não vai ter férias'
Patrícia Braga, da Faculdade de Medicina Veterinária, trabalha com um tipo especial de cultura de neurônios que simula o desenvolvimento cerebral, e aguarda agora amostras de vírus para começar experimentos.
"Reuni minha equipe e falei: 'Não vai ter férias", disse a cientista, que estava nesta quinta preparando os trabalhos para quando o ICB tiver vírus suficientes para lhe entregar. "Não dá para ter férias. Tem criança nascendo e mulheres grávidas ou querendo engravidar que podem ser afetadas por isso."
Patrícia e outros cientistas estão também tentando arranjar uma maneira de contornar o problema da burocracia na importação de insumos e equipamentos. Muitos reagentes e meios de cultura -- materiais necessários para lidar com o cultivo de células vivas em laboratório -- são produzidos fora do país, e demoram meses para chegar, após passar por trâmite pela alfândega e pela vigilância sanitária.
Somos nós, cientistas brasileiros, que temos que fazer esse trabalho agora, porque isso não está acontecendo em outros lugares."
Patrícia Braga, 
Faculdade de Medicina Veterinária
"É a primeira vez que trabalho com essa urgência", disse Patrícia. "Somos nós, cientistas brasileiros, que temos que fazer esse trabalho agora, porque isso não está acontecendo em outros lugares."
Além dos grupos enfocados em compreender a biologia do zika dentro do organismo humano, os entomologistas (especialistas em insetos) foram recrutados para a força-tarefa.
"Queremos entender quais características genéticas do mosquito estão relacionadas com competência [para transmitir doenças]", diz Lincoln Suesdek Rocha, do Butantan. “Fazendo isso, podemos identificar fraquezas genéticas do mosquito que eventualmente vão ajudar a controlar suas populações."
Toxina inseticida
Rocha trabalha em conjunto com o laboratório de entomologia de Margareth Capurro, do ICB, que também pesquisa métodos alternativos mais eficazes de controle do mosquito, como preparados de Bacillus thuringiensis, bactéria que produz uma toxina inseticida.
Um dos problemas a ser resolvido pelos cientistas é entender a interação entre os diferentes patógenos transmitidos pelo Aedes aegypti. Não se sabe ainda se o zika é capaz de conviver dentro dos insetos com os vírus dos quatro subtipos da dengue e da chikungunya. Ainda não está claro, também, se diferentes vírus podem infectar uma mesma pessoa ao mesmo tempo, nem se essa interação é maléfica.
Por via das dúvidas, os cientistas da USP já orientaram o Butantan, que conduz o teste de uma vacina contra a dengue, para excluir do ensaio clínico de fase 3 as grávidas e outras populações sob risco incerto .
Para resolver essas dúvidas, será preciso sequenciar o DNA de várias amostras de zika que vierem a ser encontradas. Por enquanto, todos os vírus usados na USP são derivados de uma paciente de Belém, mãe de uma criança microcefálica nascida morta, cedida à universidade pelo Instituto Evandro Chagas. Uma vez que os cientistas tiverem o genoma de várias amostras do vírus em mãos, pode ser possível entender por que só a cepa em circulação no Norte/Nordeste parece estar provocando microcefalia, questão que permanece um mistério.
A distância de São Paulo com o foco dos casos de microcefalia atrapalha um pouco o acesso da USP ao material coletado de pacientes. O acordo com o Dasa, porém, deve suprir parte dessa lacuna. E com a chegada do verão, cientistas esperam ter bastante trabalho à medida que a proliferação do mosquito aumenta. Não está descartada uma elevação do número de casos de microcefalia também no Sudeste/Sul.
São Paulo, de qualquer forma, tem uma infraestrutura de 22 laboratórios de microbiologia com a segurança necessária para manipular o zika, o que põe o estado em uma posição mais confortável para começar a lidar com o problema. "Agora é o melhor momento de a gente mostrar para que serve isso tudo", afirma Edison Durigon, do ICB.